<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-1144314022404984848</id><updated>2011-08-05T09:36:42.893-07:00</updated><title type='text'>O selo (h)eráldico</title><subtitle type='html'>Mas já que se há de escrever, que ao menos não se esmaguem com palavras as entrelinhas.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://seloheraldico.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seloheraldico.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Eraldo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11309790377380597482</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_yRtlp_NsrdY/SMvhjh1EnsI/AAAAAAAAAA0/GCn0XTEzBUM/S220/a.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>20</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1144314022404984848.post-8440628469335443889</id><published>2010-11-06T03:26:00.000-07:00</published><updated>2010-11-06T03:30:37.327-07:00</updated><title type='text'>Esboço para trabalho do Raul (2008)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;           Não me olhas. Diante da estante, deslizam os dedos por meus Rouquon-Macquart. Enquanto os livros prosseguem até o final da prateleira, os sapatos pretos gastos sujam meu assoalho de madeira polida com a poeira da rua.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;           -Não tinhas sapatos melhores?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;           Retiras um livro da estante. Um capítulo do inferno de Krtuchóvikh. Encaras fixamente a página, como querendo comê-la com os olhares entrecortados por movimentos vãos das pálpebras. No lusco-fusco, o céu incendeia e incendeia o lar do outro lado da rua.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;           -Escurece, pare de ler, estragas tua vista!...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;           Ries. Gostas do vestido? Achas que esta beleza atacará a todos? Que o discurso será imortalizado pelas paredes do anfiteatro?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;           Vem, aqui, mais perto, no espelho eu cintilo, como nas fotos que tanto amas. Não escondo, ao contrário de ti, nada nas prateleiras mais altas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;         Mas sim, meu vestido farfalhará entre os corredores de cadeiras, eu me abaixarei, recolocarei meu enfeite na cabeça, tu o ajeitarás, e chorará lágrimas doces de emoção. E nos baterão palmas, jogarão flores, receberei lauréis e sairemos à francesa do recinto, antes da meia noite.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;           Chegaremos pela milésima vez na travessa K., tirarei tua gravata e tu, a minha, o porta-retrato cairá, o vidro se estilhaçará, sangrarei, tu coçarás o peito, arrependido de ter parido este ser torto e, depois de instantes, chorarei (mas tu não) desejoso de, novamente, encaixar os dedos em tuas órbitas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1144314022404984848-8440628469335443889?l=seloheraldico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seloheraldico.blogspot.com/feeds/8440628469335443889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1144314022404984848&amp;postID=8440628469335443889' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/8440628469335443889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/8440628469335443889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seloheraldico.blogspot.com/2010/11/esboco-para-trabalho-do-raul-2008.html' title='Esboço para trabalho do Raul (2008)'/><author><name>Eraldo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11309790377380597482</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_yRtlp_NsrdY/SMvhjh1EnsI/AAAAAAAAAA0/GCn0XTEzBUM/S220/a.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1144314022404984848.post-960487268478921869</id><published>2010-11-03T11:15:00.000-07:00</published><updated>2010-11-06T03:25:47.636-07:00</updated><title type='text'>Para voltar de vez</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 9"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 9"&gt;&lt;link style="font-family: arial;" rel="File-List" href="file:///C:/DOCUME%7E1/eraldo/LOCALS%7E1/Temp/msoclip1/01/clip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:donotoptimizeforbrowser/&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:72.0pt 90.0pt 72.0pt 90.0pt; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;}  /* List Definitions */ @list l0 	{mso-list-id:445005538; 	mso-list-type:hybrid; 	mso-list-template-ids:713473504 -316633078 1021058240 1580786728 -1758665950 977723286 448302904 -371822332 877673866 729427504;} ol 	{margin-bottom:0cm;} ul 	{margin-bottom:0cm;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:100%;" lang="PT-BR"&gt;Ela era Sveglia. Mas eu não era e não pude suportar a ausência de sentimento. Suécia é Sveglia. Mas agora vou dormir embora não deva sonhar. Água, apesar de ser molhada por excelência, é. Escrever é. Mas estilo não é. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Ter seios é. O órgão masculino é demais.&lt;/span&gt; Bondade não é. Mas a não bondade, o dar-se, é. Bondade não é o oposto da maldade. &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:100%;"&gt;Estarei escrevendo molhado? Acho que sim. Meu sobrenome é. Já o primeiro é doce demais, é para o amor. Não ter nenhum segredo — e, no entanto, manter o enigma — é Sveglia. Na pontuação as reticências não são. Se alguém entender este meu irrevelado relatório e preciso, esse alguém é. Parece que eu não sou eu, de tanto eu que sou. O Sol é, a Lua não. Minha cara é. Provavelmente a sua também é. Uísque é. &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;E, por incrível que pareça, Coca-cola é, enquanto Pepsicola nunca foi.&lt;/span&gt; Estou fazendo propaganda de graça? Isto está errado, ouviu, Coca-cola? Ser fiel é. O ato do amor contém em si um desespero que é. Agora vou contar uma história. Mas antes quero dizer que quem me contou essa história foi uma pessoa que, apesar de bondosíssima, é Sveglia. Agora estou quase morrendo de cansaço. Sveglia — se a gente não toma cuidado — mata. A história é a seguinte: Passa-se numa localidade chamada Coelho Neto, na Guanabara. A mulher da história era muito infeliz porque tinha uma ferida na perna e a ferida não se fechava. Ela trabalhava muito e o marido era carteiro. Ser carteiro é Sveglia. Tinham muitos filhos. Quase nada o que comer. Mas esse carteiro que se imbuiu da responsabilidade de tornar sua mulher feliz. Ser feliz é Sveglia. E o carteiro resolveu a situação. Mostrou-lhe uma vizinha que era estéril e sofria muito com isso. Não havia jeito de pegar filho. Mostrou à sua mulher como esta era feliz em ter filhos. E ela ficou feliz, mesmo com a pouca comida. Mostrou-lhe também o carteiro que outra vizinha tinha filhos, mas o marido bebia muito e batia nela e nos filhos. Enquanto que ele não bebia e nunca espancara a mulher ou as crianças. O que a tornou feliz. Todas as noites eles tinham pena da vizinha estéril e da que apanhava do marido. Todas as noites eles eram muito felizes. E ser feliz é Sveglia. Todas as noites. Eu queria chegar à página 9 na máquina de escrever. O número nove é quase inatingível. O número 13 é Deus. Máquina de escrever é. O perigo dela passar a não ser mais Sveglia é quando se mistura um pouco com os sentimentos que a pessoa que está escrevendo tem. Eu enjoei do cigarro Consul que é mentolado e doce. J&lt;b&gt;á o cigarro Carlton é seco, é duro, é áspero, e sem conivência com o fumante. Como cada coisa é ou não é, não me incomodo de fazer propaganda de graça do Carlton. Mas, quanto à Coca- cola, não perdôo. Eu quero mandar este relatório para a revista Senhor e quero que eles me paguem muito bem. &lt;/b&gt;Como você é, julgue se minha cozinheira, que cozinha bem e canta o dia inteiro, é. Acho que vou encerrar este relatório essencial para explicar os fenômenos enérgicos da matéria. Mas não sei o que fazer. Ah, vou me vestir. (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O relatório da coisa&lt;/span&gt;, Clarice Lispector)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1144314022404984848-960487268478921869?l=seloheraldico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seloheraldico.blogspot.com/feeds/960487268478921869/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1144314022404984848&amp;postID=960487268478921869' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/960487268478921869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/960487268478921869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seloheraldico.blogspot.com/2010/11/para-voltar.html' title='Para voltar de vez'/><author><name>Eraldo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11309790377380597482</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_yRtlp_NsrdY/SMvhjh1EnsI/AAAAAAAAAA0/GCn0XTEzBUM/S220/a.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1144314022404984848.post-2861395622795293934</id><published>2010-09-14T08:26:00.000-07:00</published><updated>2010-09-14T08:28:00.144-07:00</updated><title type='text'>Retornando</title><content type='html'>Estou desorganizada porque perdi o que não precisava? Nesta minha nova covardia – a covardia é o que de mais novo já me aconteceu, é a minha maior aventura, essa minha covardia é um campo tão amplo que só a grande coragem me leva a aceitá-la –, na minha nova covardia, que é como acordar de manhã na casa de um estrangeiro, não sei se terei coragem de simplesmente ir. É difícil perder-se. É tão difícil que provavelmente arrumarei depressa um modo de me achar, mesmo que achar-me mesmo seja de novo a mentira que vivo. A paixão segundo G.H. Clarice.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1144314022404984848-2861395622795293934?l=seloheraldico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seloheraldico.blogspot.com/feeds/2861395622795293934/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1144314022404984848&amp;postID=2861395622795293934' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/2861395622795293934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/2861395622795293934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seloheraldico.blogspot.com/2010/09/retornando.html' title='Retornando'/><author><name>Eraldo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11309790377380597482</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_yRtlp_NsrdY/SMvhjh1EnsI/AAAAAAAAAA0/GCn0XTEzBUM/S220/a.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1144314022404984848.post-8056915942304251017</id><published>2009-05-21T11:46:00.000-07:00</published><updated>2009-05-21T11:47:23.274-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_yRtlp_NsrdY/ShWhqwzQAfI/AAAAAAAAACc/87ho1nsbrbk/s1600-h/aaaaaaaa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338350689344029170" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; HEIGHT: 400px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_yRtlp_NsrdY/ShWhqwzQAfI/AAAAAAAAACc/87ho1nsbrbk/s400/aaaaaaaa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1144314022404984848-8056915942304251017?l=seloheraldico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seloheraldico.blogspot.com/feeds/8056915942304251017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1144314022404984848&amp;postID=8056915942304251017' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/8056915942304251017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/8056915942304251017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seloheraldico.blogspot.com/2009/05/blog-post.html' title=''/><author><name>Eraldo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11309790377380597482</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_yRtlp_NsrdY/SMvhjh1EnsI/AAAAAAAAAA0/GCn0XTEzBUM/S220/a.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_yRtlp_NsrdY/ShWhqwzQAfI/AAAAAAAAACc/87ho1nsbrbk/s72-c/aaaaaaaa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1144314022404984848.post-1281255607226080749</id><published>2009-04-09T15:30:00.000-07:00</published><updated>2009-04-27T15:21:15.059-07:00</updated><title type='text'>Borges, o malaco</title><content type='html'>A história dos dois que sonharam&lt;br /&gt;(As mil e uma noites - Noite 351)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         O historiador árabe El Ixaqui narra este acontecimento:&lt;br /&gt;Contam os homens dignos de fé (porém somente Alá é onisciente e poderoso e misericordioso e não dorme) que existiu no Cairo um homem possuidor de riquezas, porém tão magnânimo e liberal que perdeu-as todas, menos a casa de seu pai. Diante disso se viu forçado a trabalhar para ganhar o seu pão. Trabalhou tanto, que o sono venceu-o uma noite sob uma figueira de seu jardim, e ele viu no sonho um homem empanturrado que tirou da boca uma moeda de ouro e lhe disse: "Tua fortuna está na Pérsia, em Isfahan; vai buscá-la".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na madrugada seguinte acordou e empreendeu a longa viagem, afrontando os perigos dos desertos, dos navios, dos piratas, dos idólatras, dos rios, das feras e dos homens. Chegou finalmente a Isfahan, e no centro da cidade, no pátio de uma mesquita, deitou-se para dormir. Junto a mesquita havia uma casa, e por vontade de Deus Todo Poderoso, um bando de ladrões atravessou a mesquita, e meteu-se na casa, e as pessoas que aí dormiam, despertando com o barulho, pediram socorro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os vizinhos também, gritaram, até que o capitão dos guardas noturnos daquele distrito acudiu com seus homens e os bandoleiros fugiram pelo terraço. O capitão quis revistar a mesquita e lá deram com o homem do Cairo; açoitaram-no de tal maneira com varas de bambu que ele quase morreu. Dois dias depois recobrou os sentidos na cadeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O capitão mandou buscá-lo e disse: "Quem és tu e qual é a tua pátria? " O outro declarou: "Sou da famosa cidade do Cairo e meu nome é Mohamed El Magrebi". O capitão perguntou-lhe: "O que trouxe à Pérsia?" O outro optou pela verdade e disse: "Um homem ordenou-me, em sonho, que eu viesse a Isfahan porque aí estava a minha fortuna. Já estou em Isfahan e vejo que essa fortuna que prometeu devem ser as vergastadas que tão generosamente me deste".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante de tais palavras o capitão riu tanto que se viam seus dentes do siso e, finalmente, lhe disse: "Homem desajuizado e crédulo, eu já sonhei três vezes com uma casa no Cairo no fundo da qual há um jardim, e nesse jardim um relógio de sol, e depois do relógio, uma figueira, e logo depois da figueira, uma fonte, e sob a fonte, um tesouro. Não dei o menor crédito a essa mentira e tu, produto de uma mula com um demônio, não obstante, vens errando de cidade em cidade baseado unicamente na fé no teu sonho. Que eu não volte a ver-te em Isfahan. Toma estas moedas e desaparece".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem pegou as moedas e regressou a sua pátria. Sob a fonte de seu jardim (que era a mesma do sonho do capitão) desenterrou o tesouro. Assim Deus lhe deu sua benção, recompensou-o e enalteceu-o. Deus é o Generoso, o Oculto.&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1144314022404984848-1281255607226080749?l=seloheraldico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seloheraldico.blogspot.com/feeds/1281255607226080749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1144314022404984848&amp;postID=1281255607226080749' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/1281255607226080749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/1281255607226080749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seloheraldico.blogspot.com/2009/04/direito-de-resposta.html' title='Borges, o malaco'/><author><name>Eraldo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11309790377380597482</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_yRtlp_NsrdY/SMvhjh1EnsI/AAAAAAAAAA0/GCn0XTEzBUM/S220/a.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1144314022404984848.post-2039444079754564206</id><published>2009-01-28T09:09:00.000-08:00</published><updated>2009-01-28T09:13:53.271-08:00</updated><title type='text'>Cheshire Cat</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_yRtlp_NsrdY/SYCSKwsOx0I/AAAAAAAAABs/bmHiKAOWCnE/s1600-h/imagem.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5296393875354470210" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 197px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_yRtlp_NsrdY/SYCSKwsOx0I/AAAAAAAAABs/bmHiKAOWCnE/s320/imagem.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;“Would you tell me, please, which way I ought to go from here?”&lt;br /&gt;“That depends a good deal on where you want to get to,” said the Cat.&lt;br /&gt;`I don't much care where”-  said Alice.&lt;br /&gt;“Then it doesn't matter which way you go”, said the Cat.&lt;br /&gt;“--so long as I get somewhere,” Alice added as an explanation.&lt;br /&gt;“Oh, you're sure to do that,” said the Cat, “if you only walk long enough.”(Alice’s adventure in Wonderland, Lewis Carroll)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1144314022404984848-2039444079754564206?l=seloheraldico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seloheraldico.blogspot.com/feeds/2039444079754564206/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1144314022404984848&amp;postID=2039444079754564206' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/2039444079754564206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/2039444079754564206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seloheraldico.blogspot.com/2009/01/cheshire-cat.html' title='Cheshire Cat'/><author><name>Eraldo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11309790377380597482</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_yRtlp_NsrdY/SMvhjh1EnsI/AAAAAAAAAA0/GCn0XTEzBUM/S220/a.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_yRtlp_NsrdY/SYCSKwsOx0I/AAAAAAAAABs/bmHiKAOWCnE/s72-c/imagem.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1144314022404984848.post-8638577414909517753</id><published>2008-12-27T10:14:00.000-08:00</published><updated>2008-12-27T10:16:52.382-08:00</updated><title type='text'>Crítica Leve</title><content type='html'>Cleber diz:&lt;br /&gt;não entendi nada e tb não quero entender pois ela é ateia, e as palavra dela&lt;br /&gt;Na ponta do compasso arredonda um mundo, Leandro... diz:&lt;br /&gt;quem disse que ela eh ateia?&lt;br /&gt;Na ponta do compasso arredonda um mundo, Leandro... diz:&lt;br /&gt;vc leu?&lt;br /&gt;Na ponta do compasso arredonda um mundo, Leandro... diz:&lt;br /&gt;Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho de minha natureza? Enquanto eu imaginar que "Deus" é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o meu modo de me acusar. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrário quero chamar de Deus. Eu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escadalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe.&lt;br /&gt;Cleber diz:&lt;br /&gt;e as palavras dela são pequenas perante o meu Deus q é forte e poderoso, eu sou maior q ela pois tenho Deus e ela é menor q eu, sou + inteligente q ela, e Defino Deus muito melhor q uma escritora e um nerd&lt;br /&gt;Na ponta do compasso arredonda um mundo, Leandro... diz:&lt;br /&gt;"ela é menor q eu"&lt;br /&gt;Na ponta do compasso arredonda um mundo, Leandro... diz:&lt;br /&gt;xD&lt;br /&gt;Na ponta do compasso arredonda um mundo, Leandro... diz:&lt;br /&gt;"o meu Deus q é forte e poderoso"&lt;br /&gt;Na ponta do compasso arredonda um mundo, Leandro... diz:&lt;br /&gt;e ela nao eh ateia&lt;br /&gt;Cleber diz:&lt;br /&gt;logico, ela não tinha Deus no coração nem vc,são incapazes de amar, estão contaminadas e se vcs não aceitarem a misericórdia de Deus poderam ser jogados no fogo eterm&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1144314022404984848-8638577414909517753?l=seloheraldico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seloheraldico.blogspot.com/feeds/8638577414909517753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1144314022404984848&amp;postID=8638577414909517753' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/8638577414909517753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/8638577414909517753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seloheraldico.blogspot.com/2008/12/crtica-leve.html' title='Crítica Leve'/><author><name>Eraldo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11309790377380597482</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_yRtlp_NsrdY/SMvhjh1EnsI/AAAAAAAAAA0/GCn0XTEzBUM/S220/a.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1144314022404984848.post-3338898195638235362</id><published>2008-12-13T05:18:00.000-08:00</published><updated>2008-12-13T05:19:59.535-08:00</updated><title type='text'>Perdoando Deus - Clarice Lispector</title><content type='html'>(para Ana Débora)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu ia andando pela Avenida Copacabana e olhava distraída edifícios, nesga de mar, pessoas, sem pensar em nada. Ainda não percebera que na verdade não estava distraída, estava era de uma atenção sem esforço, estava sendo uma coisa muito rara: livre. Via tudo, e à toa. Pouco a pouco é que fui percebendo que estava percebendo as coisas. Minha liberdade então se intensificou um pouco mais, sem deixar de ser liberdade.Tive então um sentimento de que nunca ouvi falar. Por puro carinho, eu me senti a mãe de Deus, que era a Terra, o mundo. Por puro carinho mesmo, sem nenhuma prepotência ou glória, sem o menor senso de superioridade ou igualdade, eu era por carinho a mãe do que existe. Soube também que se tudo isso "fosse mesmo" o que eu sentia - e não possivelmente um equívoco de sentimento - que Deus sem nenhum orgulho e nenhuma pequenez se deixaria acarinhar, e sem nenhum compromisso comigo. Ser-Lhe-ia aceitável a intimidade com que eu fazia carinho. O sentimento era novo para mim, mas muito certo, e não ocorrera antes apenas porque não tinha podido ser. Sei que se ama ao que é Deus. Com amor grave, amor solene, respeito, medo e reverência. Mas nunca tinham me falado de carinho maternal por Ele. E assim como meu carinho por um filho não o reduz, até o alarga, assim ser mãe do mundo era o meu amor apenas livre.E foi quando quase pisei num enorme rato morto. Em menos de um segundo estava eu eriçada pelo terror de viver, em menos de um segundo estilhaçava-me toda em pânico, e controlava como podia o meu mais profundo grito. Quase correndo de medo, cega entre as pessoas, terminei no outro quarteirão encostada a um poste, cerrando violentamente os olhos, que não queriam mais ver. Mas a imagem colava-se às pálpebras: um grande rato ruivo, de cauda enorme, com os pés esmagados, e morto, quieto, ruivo. O meu medo desmesurado de ratos.Toda trêmula, consegui continuar a viver. Toda perplexa continuei a andar, com a boca infantilizada pela surpresa. Tentei cortar a conexão entre os dois fatos: o que eu sentira minutos antes e o rato. Mas era inútil. Pelo menos a contigüidade ligava-os. Os dois fatos tinham ilogicamente um nexo. Espantava-me que um rato tivesse sido o meu contraponto. E a revolta de súbito me tomou: então não podia eu me entregar desprevenida ao amor? De que estava Deus querendo me lembrar? Não sou pessoa que precise ser lembrada de que dentro de tudo há o sangue. Não só não esqueço o sangue de dentro como eu o admiro e o quero, sou demais o sangue para esquecer o sangue, e para mim a palavra espiritual não tem sentido, e nem a palavra terrena tem sentido. Não era preciso ter jogado na minha cara tão nua um rato. Não naquele instante. Bem poderia ter sido levado em conta o pavor que desde pequena me alucina e persegue, os ratos já riram de mim, no passado do mundo os ratos já me devoraram com pressa e raiva. Então era assim?, eu andando pelo mundo sem pedir nada, sem precisar de nada, amando de puro amor inocente, e Deus a me mostrar o seu rato? A grosseria de Deus me feria e insultava-me. Deus era bruto. Andando com o coração fechado, minha decepção era tão inconsolável como só em criança fui decepcionada. Continuei andando, procurava esquecer.Mas só me ocorria a vingança. Mas que vingança poderia eu contra um Deus Todo-Poderoso, contra um Deus que até com um rato esmagado poderia me esmagar? Minha vulnerabilidade de criatura só. Na minha vontade de vingança nem ao menos eu podia encará-Lo, pois eu não sabia onde é que Ele mais estava, qual seria a coisa onde Ele mais estava e que eu, olhando com raiva essa coisa, eu O visse? no rato? naquela janela? nas pedras do chão? Em mim é que Ele não estava mais. Em mim é que eu não O via mais. Então a vingança dos fracos me ocorreu: ah, é assim? pois então não guardarei segredo, e vou contar. Sei que é ignóbil ter entrado na intimidade de Alguém, e depois contar os segredos, mas vou contar - não conte, só por carinho não conte, guarde para você mesma as vergonhas Dele - mas vou contar, sim, vou espalhar isso que me aconteceu, dessa vez não vai ficar por isso mesmo, vou contar o que Elefez, vou estragar a Sua reputação.... mas quem sabe, foi porque o mundo também é rato, e eu tinha pensado que já estava pronta para o rato também. Porque eu me imaginava mais forte. Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente. Porque eu, só por ter tido carinho, pensei que amar é fácil. É porque eu não quis o amor solene, sem compreender que a solenidade ritualiza a incompreensão e a transforma em oferenda. E é também porque sempre fui de brigar muito, meu modo é brigando. É porque sempre tento chegar pelo meu modo. É porque ainda não sei ceder. É porque no fundo eu quero amar o que eu amaria - e não o que é. É porque ainda não sou eu mesma, e então o castigo é amar um mundo que não é ele. É também porque eu me ofendo à toa. É porque talvez eu precise que me digam com brutalidade, pois sou muito teimosa. É porque sou muito possessiva e então me foi perguntado com alguma ironia se eu também queria o rato para mim. É porque só poderei ser mãe das coisas quando puder pegar um rato na mão. Sei que nunca poderei pegar num rato sem morrer de minha pior morte. Então, pois, que eu use o magnificat que entoa às cegas sobre o que não se sabe nem vê.&lt;strong&gt; E que eu use o formalismo que me afasta. Porque o formalismo não tem ferido a minha simplicidade, e sim o meu orgulho, pois é pelo orgulho de ter nascido que me sinto tão íntima do mundo, mas este mundo que eu ainda extraí de mim de um grito mudo. Porque o rato existe tanto quanto eu, e talvez nem eu nem o rato sejamos para ser vistos por nós mesmos, a distância nos iguala. Talvez eu tenha que aceitar antes de mais nada esta minha natureza que quer a morte de um rato. Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. Só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente. Talvez eu não possa olhar o rato enquanto não olhar sem lividez esta minha alma que é apenas contida. Talvez eu tenha que chamar de "mundo" esse meu modo de ser um pouco de tudo. Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho de minha natureza? Enquanto eu imaginar que "Deus" é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o meu modo de me acusar. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrário quero chamar de Deus. Eu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escadalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1144314022404984848-3338898195638235362?l=seloheraldico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seloheraldico.blogspot.com/feeds/3338898195638235362/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1144314022404984848&amp;postID=3338898195638235362' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/3338898195638235362'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/3338898195638235362'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seloheraldico.blogspot.com/2008/12/perdoando-deus-clarice-lispector.html' title='Perdoando Deus - Clarice Lispector'/><author><name>Eraldo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11309790377380597482</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_yRtlp_NsrdY/SMvhjh1EnsI/AAAAAAAAAA0/GCn0XTEzBUM/S220/a.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1144314022404984848.post-7966968401214908318</id><published>2008-10-24T11:58:00.000-07:00</published><updated>2008-10-24T12:00:04.003-07:00</updated><title type='text'>1° comentário</title><content type='html'>-Era sobre a diferença entre a concepção de verdade no grego, no hebraico e no latim...&lt;br /&gt;-A gente pensa, poxa, senhoras e senhores, esse garoto nos pega desprevinidos...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1144314022404984848-7966968401214908318?l=seloheraldico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seloheraldico.blogspot.com/feeds/7966968401214908318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1144314022404984848&amp;postID=7966968401214908318' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/7966968401214908318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/7966968401214908318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seloheraldico.blogspot.com/2008/10/1-comentrio.html' title='1° comentário'/><author><name>Eraldo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11309790377380597482</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_yRtlp_NsrdY/SMvhjh1EnsI/AAAAAAAAAA0/GCn0XTEzBUM/S220/a.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1144314022404984848.post-1416192743683847653</id><published>2008-10-22T14:31:00.000-07:00</published><updated>2008-10-22T14:51:13.329-07:00</updated><title type='text'>Em lugar de uma carta (Maiakovski)</title><content type='html'>(Para Aline)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Fumo de tabaco rói o ar.&lt;br /&gt;O quarto —&lt;br /&gt;um capítulo do inferno de Krutchônikh.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Recorda —&lt;br /&gt;atrás desta janela&lt;br /&gt;pela primeira vez&lt;br /&gt;apertei tuas mãos, atônito.&lt;br /&gt;Hoje te sentas,&lt;br /&gt;no coração - aço.&lt;br /&gt;Um dia mais&lt;br /&gt;e me expulsarás,&lt;br /&gt;talvez, com zanga.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;No teu “hall” escuro longamente o braço,&lt;br /&gt;trêmulo, se recusa a entrar na manga.&lt;br /&gt;Sairei correndo,&lt;br /&gt;lançarei meu corpo à rua.&lt;br /&gt;Transtornado,&lt;br /&gt;tornado&lt;br /&gt;louco pelo desespero.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Não o consintas,&lt;br /&gt;meu amor,&lt;br /&gt;meu bem,&lt;br /&gt;digamos até logo agora.&lt;br /&gt;De qualquer forma&lt;br /&gt;o meu amor&lt;br /&gt;— duro fardo por certo —&lt;br /&gt;pesará sobre ti&lt;br /&gt;onde quer que te encontres.&lt;br /&gt;Deixa que o fel da mágoa ressentida&lt;br /&gt;num último grito estronde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando um boi está morto de trabalho ele se vai&lt;br /&gt;e se deita na água fria.&lt;br /&gt;Afora o teu amor&lt;br /&gt;para mim&lt;br /&gt;não há mar,&lt;br /&gt;e a dor do teu amor nem a lágrima alivia.&lt;br /&gt;Quando o elefante cansado quer repouso&lt;br /&gt;ele jaz como um rei na areia ardente.&lt;br /&gt;Afora o teu amor&lt;br /&gt;para mim&lt;br /&gt;não há sol,&lt;br /&gt;e eu não sei onde estás e com quem.&lt;br /&gt;Se ela assim torturasse um poeta,&lt;br /&gt;ele&lt;br /&gt;trocaria sua amada por dinheiro e glória,&lt;br /&gt;mas a mim&lt;br /&gt;nenhum som me importa&lt;br /&gt;afora o som do teu nome que eu adoro.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;E não me lançarei no abismo,&lt;br /&gt;e não beberei veneno,&lt;br /&gt;e não poderei apertar na têmpora o gatilho.&lt;br /&gt;Afora&lt;br /&gt;o teu olhar&lt;br /&gt;nenhuma lâmina me atrai com seu brilho.&lt;br /&gt;Amanhã esquecerás&lt;br /&gt;que eu te pus num pedestal,&lt;br /&gt;que incendiei de amor uma alma livre,&lt;br /&gt;e os dias vãos - rodopiante carnaval -&lt;br /&gt;dispersarão as folhas dos meus livros…&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Acaso as folhas secas destes versos&lt;br /&gt;far-te-ão parar,&lt;br /&gt;respiração opressa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixa-me ao menos&lt;br /&gt;arrelvar numa última carícia&lt;br /&gt;teu passo que se apressa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;26 de maio de 1916. Petrogrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Tradução de Augusto de Campos)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1144314022404984848-1416192743683847653?l=seloheraldico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seloheraldico.blogspot.com/feeds/1416192743683847653/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1144314022404984848&amp;postID=1416192743683847653' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/1416192743683847653'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/1416192743683847653'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seloheraldico.blogspot.com/2008/10/em-lugar-de-uma-carta-maiakovski.html' title='Em lugar de uma carta (Maiakovski)'/><author><name>Eraldo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11309790377380597482</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_yRtlp_NsrdY/SMvhjh1EnsI/AAAAAAAAAA0/GCn0XTEzBUM/S220/a.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1144314022404984848.post-7361775247142789342</id><published>2008-10-22T14:28:00.000-07:00</published><updated>2008-10-24T11:51:20.740-07:00</updated><title type='text'>Solilóquios</title><content type='html'>&lt;div align="center"&gt;Na alcova os amantes - &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Tórrido o sol derretia&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;as vidas humanas.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Choram os machados&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;tristes enquanto executam&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;o matricídio.&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;Só, no rio turvo, &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;o peixe chora devagar, &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;atrás da amada.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1144314022404984848-7361775247142789342?l=seloheraldico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seloheraldico.blogspot.com/feeds/7361775247142789342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1144314022404984848&amp;postID=7361775247142789342' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/7361775247142789342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/7361775247142789342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seloheraldico.blogspot.com/2008/10/solilquios.html' title='Solilóquios'/><author><name>Eraldo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11309790377380597482</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_yRtlp_NsrdY/SMvhjh1EnsI/AAAAAAAAAA0/GCn0XTEzBUM/S220/a.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1144314022404984848.post-5427180877235473751</id><published>2008-09-15T15:29:00.000-07:00</published><updated>2008-09-15T15:32:55.996-07:00</updated><title type='text'>É para lá que eu vou (Clarice Lispector)</title><content type='html'>&lt;p&gt;(Texto que tinha prometido mandar para Napoleão.)&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Para além da orelha existe um som, à extremidade do olhar um aspecto, às pontas dos dedos um objeto - é para lá que eu vou. &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;À ponta do lápis o traço. &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Onde expira um pensamento está uma idéia, ao derradeiro hálito de alegria uma outra alegria, à ponta da espada a magia - é para lá que eu vou.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Na ponta dos pés o salto. Parece a história de alguém que foi e não voltou - é para lá que eu vou. &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Ou não vou? Vou, sim. E volto para ver como estão as coisas. Se continuam mágicas. Realidade? eu vos espero. E para lá que eu vou. &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Na ponta da palavra está a palavra. Quero usar a palavra “tertúlia” e não sei aonde e quando. À beira da tertúlia está a família. À beira da família estou eu. À beira de eu estou mim. É para mim que eu vou. E de mim saio para ver. Ver o quê? ver o que existe. Depois de morta é para a realidade que vou. Por enquanto é sonho. Sonho fatídico. Mas depois - depois tudo é real. E a alma livre procura um canto para se acomodar. Mim é um eu que anuncio. Não sei sobre o que estou falando. Estou falando de nada. Eu sou nada. Depois de morta engrandecerei e me espalharei, e alguém dirá com amor meu nome.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;É para o meu pobre nome que vou. &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;E de lá volto para chamar o nome do ser amado e dos filhos. Eles me responderão. Enfim terei uma resposta. Que resposta? a do amor. Amor: eu vos amo tanto. Eu amo o amor. O amor é vermelho. O ciúme é verde. Meus olhos são verdes. Mas são verdes tão escuros que na fotografia saem negros. Meu segredo é ter os olhos verdes e ninguém saber. &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;À extremidade de mim estou eu. Eu, implorante, eu a que necessita, a que pede, a que chora, a que se lamenta. Mas a que canta. A que diz palavras. Palavras ao vento? que importa, os ventos as trazem de novo e eu as possuo. &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Eu à beira do vento. O morro dos ventos uivantes me chama. Vou, bruxa que sou. E me transmuto.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Oh, cachorro, cadê tua alma? está à beira de teu corpo? Eu estou à beira de meu corpo. E feneço lentamente. &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;em&gt;Que estou eu a dizer? Estou dizendo amor. E à beira do amor estamos nós. &lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1144314022404984848-5427180877235473751?l=seloheraldico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seloheraldico.blogspot.com/feeds/5427180877235473751/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1144314022404984848&amp;postID=5427180877235473751' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/5427180877235473751'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/5427180877235473751'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seloheraldico.blogspot.com/2008/09/para-l-que-eu-vou-clarice-lispector.html' title='É para lá que eu vou (Clarice Lispector)'/><author><name>Eraldo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11309790377380597482</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_yRtlp_NsrdY/SMvhjh1EnsI/AAAAAAAAAA0/GCn0XTEzBUM/S220/a.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1144314022404984848.post-1461394392594986470</id><published>2008-08-28T15:19:00.000-07:00</published><updated>2008-08-28T15:22:00.745-07:00</updated><title type='text'>,</title><content type='html'>Santo Deus, (não, que Deus me desculpe, pois sou ateu).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gente, que vírgulas retas são essas...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1144314022404984848-1461394392594986470?l=seloheraldico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seloheraldico.blogspot.com/feeds/1461394392594986470/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1144314022404984848&amp;postID=1461394392594986470' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/1461394392594986470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/1461394392594986470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seloheraldico.blogspot.com/2008/08/blog-post.html' title=','/><author><name>Eraldo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11309790377380597482</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_yRtlp_NsrdY/SMvhjh1EnsI/AAAAAAAAAA0/GCn0XTEzBUM/S220/a.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1144314022404984848.post-8277836475085827629</id><published>2008-08-28T15:15:00.000-07:00</published><updated>2008-08-28T15:16:05.949-07:00</updated><title type='text'>Sujeiras</title><content type='html'>Ah, se eles soubessem como seus elogios me machucam...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1144314022404984848-8277836475085827629?l=seloheraldico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seloheraldico.blogspot.com/feeds/8277836475085827629/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1144314022404984848&amp;postID=8277836475085827629' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/8277836475085827629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/8277836475085827629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seloheraldico.blogspot.com/2008/08/sujeiras.html' title='Sujeiras'/><author><name>Eraldo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11309790377380597482</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_yRtlp_NsrdY/SMvhjh1EnsI/AAAAAAAAAA0/GCn0XTEzBUM/S220/a.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1144314022404984848.post-7077372851441308070</id><published>2008-08-19T15:15:00.000-07:00</published><updated>2008-08-19T15:16:34.605-07:00</updated><title type='text'>Esclarecimento</title><content type='html'>Eu gosto das pessoas que me fazer rir. Meu riso é como uma redenção. Meu sorriso ou a ausência de meu sorriso são maus presságios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1144314022404984848-7077372851441308070?l=seloheraldico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seloheraldico.blogspot.com/feeds/7077372851441308070/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1144314022404984848&amp;postID=7077372851441308070' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/7077372851441308070'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/7077372851441308070'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seloheraldico.blogspot.com/2008/08/esclarecimento.html' title='Esclarecimento'/><author><name>Eraldo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11309790377380597482</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_yRtlp_NsrdY/SMvhjh1EnsI/AAAAAAAAAA0/GCn0XTEzBUM/S220/a.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1144314022404984848.post-263082009891011750</id><published>2008-08-15T17:38:00.000-07:00</published><updated>2008-08-15T17:49:19.355-07:00</updated><title type='text'>Admiração</title><content type='html'>(que era para ser um haiku)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;Mendiga comeu&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;meus cinco sonhos de valsa&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;tão silenciosamente...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1144314022404984848-263082009891011750?l=seloheraldico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seloheraldico.blogspot.com/feeds/263082009891011750/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1144314022404984848&amp;postID=263082009891011750' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/263082009891011750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/263082009891011750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seloheraldico.blogspot.com/2008/08/admirao.html' title='Admiração'/><author><name>Eraldo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11309790377380597482</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_yRtlp_NsrdY/SMvhjh1EnsI/AAAAAAAAAA0/GCn0XTEzBUM/S220/a.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1144314022404984848.post-4000920365480785806</id><published>2008-07-26T07:27:00.000-07:00</published><updated>2008-07-26T07:28:19.904-07:00</updated><title type='text'>A experiência do amor e do diálogo na era do MP3 player</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 100%;"&gt;Mês passado, eu estava fazendo a baldeação do metrô para o trem na estação Brás, quando vi um senhor perguntar para um rapaz que horas eram. Ele não ouviu e continuou andando. Tinha fones no ouvido, presos por fios finos que se perdiam no interior do seu suéter azul. Era um dia frio. O senhor ficou parado. Enfim, retornou à empreitada. Conseguiu. Tudo durou cerca de quinze segundos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 100%;"&gt;Continuei a caminhar até as escadas rolantes, sempre inoperantes, desci-as a pé e, depois de um esforço sobre-humano, deslizando com a minha mochila gigantesca entre tantos corpos, consegui me acomodar. Tirei a mochila das costas e dela o &lt;i&gt;Madame Bovary&lt;/i&gt; da biblioteca do Centro Cultural da Vergueiro. Mesmo tendo que ler 150 páginas daquele livro até quarta-feira seguinte, mesmo tendo que refletir sobre a mudança copernicana que eu começava a operar na minha vida, mesmo sofrendo tanto, sem nunca arranjar soluções, que a reflexão é tão incapaz de encontrar, mesmo com a cabeça pesada, o coração dolorido e a boca suspirando, mesmo com tantas mazelas no mundo, mesmo sem espaço para me apoiar, mesmo com todo aquele cheiro vindo das bocas que pouco falam e dos suores de um dia de esforço, não pude deixar de pensar na inexorabilidade dos &lt;i&gt;MP3s, MP4s, MP5s, iPods &lt;/i&gt; e&lt;i&gt; tutti quanti&lt;/i&gt;, em nossas vidas.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 100%;"&gt;Um sortudo, sentado, lia o Código da Vinci enquanto ouvia música. Uma garota dormia, com fones no ouvido. Outra, em pé, sussurrava baixinho algo que provavelmente estava sendo cantado ao seu ouvido. Um homem, de terno e gravata, uma expressão de indiferença na cara, ouvia Amy Whinehouse em som tão alto que eu podia compreender perfeitamente o que se dizia. Repentinamente, alguém põe o Creu para tocar em alto e bom som, de modo que o ambiente já barulhento por causa das acusações contra mais-valia, das reclamações sobre a CPTM, dos gritos de jogadores de baralho, das discussões sobre a fartura da mulher-melancia, das agressões domésticas, chegou ao apogeu da poluição sonora.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 100%;"&gt;Os guardas passavam pelos vagões, em revista, para garantir que ninguém iria sentado no chão, que ninguém venderia algo e que os prosélitos entoassem seus cantos. Confusões: gente tirada a força, vários “sou trabalhador!” ecoavam, muitos indignados reclamavam. Ouça: “trem com destino a Calmon Viana partirá da plataforma 7 e em seguida da plataforma 6”. Olhei pela janela. Eram oito e quinze. Eu estava na plataforma 6.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 100%;"&gt;Não conseguia ler. Ela, porém, tinha a vida fria de um celeiro aberto para o norte; e o tédio, aranha silenciosa, ia tecendo a sua teia na sombra de todos os cantos de seu coração...um celeiro aberto para o norte, ia tecendo, todos os cantos do seu coração...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 100%;"&gt;“Senhores usuários, boa noite, esse trem parte com destino à estação Calmon Viana. Tenha uma boa viagem”.Um apito. As portas fecham-se. Alguns membros ficam presos. As portas abrem-se. Suspiros e gemidos de alívio. As portas fecham-se. Praguejos. A inexorabilidade da primeira lei de Newton se manifesta: gritos assustados ecoam pelo vagão, todos tombam para o lado. Muitas reclamações e risos. O trem parte.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 100%;"&gt;Acendem-se os cigarros, a maconha passa de mão em mão e bem próxima de nossos narizes e paçocas, biscoitos, iogurtes e amendoins são expostos pelos publicitários não-registrados. “Se que tirar o cheiro de maconha da boca, é só comprar Listerine! Um real! Validade até a próxima copa do mundo!”. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 100%;"&gt;E, de repente, eu preparava uma pirueta en dedans, e começava a girar, e passava a eternidade girando, enquanto todos casavam e eram assassinados e assassinavam-se e prostituíam-se e recebiam o título de &lt;i&gt;doutor  honoris causa&lt;/i&gt;... Todos bateram palmas quando um cachorro tentou pular uma cerca e bateu de cabeça nela... Um navio abria espaço no concreto da rua Pedro de Toledo e eu o comandava...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 100%;"&gt;Acordei repentinamente, dando um grito. Alguém tropeçara e se agarrara à minha cintura. Voltei a ler. “Carlos sentiu-se enternecido com isso e deu-lhe um beijo acompanhado de uma lágrima. Ela, porém, estava exasperada de vergonha; a sua vontade era de espancá-lo, mas se levantou, dirigiu-se ao corredor, abriu a janela e aspirou o ar fresco, para se acalmar”.Pedi à senhora que estava sentada na minha frente que abrisse a janela. Minha voz não conseguiu transcender o Pump it. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 100%;"&gt;Lembrei-me  que uma vez dois garotos de uns dez anos almoçavam no &lt;i&gt;Shopping D&lt;/i&gt;, enquanto conversavam; ambos com fones no ouvido. E das tantas vezes que conversei com alguém que tinha fones no ouvido até perceber que era insultante. E de quando falei para Alberto que ele ficaria surdo se continuasse a escutar música naquela altura e ele não me ouviu. E de quando a professora Maria Beatriz reclamou, durante uma aula sobre geradores ideais, com alguém que tentava ocultar os fones sob o capuz do casaco. E do Heron, ansioso para que seu &lt;i&gt;iPod&lt;/i&gt; chegasse logo  dos Estados Unidos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 100%;"&gt;Lembrei-me das acusações que recebia por minha falta de seriedade, por ser infantil demais, por ser obsessivo, repetitivo, enfadonho. Lembrei-me dos minutos que passei explicando algo para alguém que fazia questão de mostrar tédio ou de me cortar, na primeira oportunidade, para falar mal de alguém ou contar os causos da sua vida atribulada.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 100%;"&gt;Lembrei-me  de Adorno, em &lt;i&gt;Educação após Auschwitz&lt;/i&gt; , afirmando que todos nos sentimos pouco amados, porque amamos demasiado pouco. Lembrei-me de Lacan, quando afirmara que o desejo do homem era o desejo do outro. Lembrei-me de Tiburi, que dissera que conversar também é uma forma de amar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 100%;"&gt;Voltei a ler. “Supunha-a feliz; e ela não lhe podia perdoar aquela tranqüilidade tão bem assente, aquela gravidade serena, nem a própria felicidade que lhe dava.”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 100%;"&gt;O  trem brecou. O cadáver de Newton levantou-se só para rir, orgulhoso.  Eu disse, com a voz rouca:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 100%;"&gt;-  Nos tornamos, em diferentes graus, incomunicáveis...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 100%;"&gt;A  senhora tirou os fones do ouvido e indagou:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 100%;"&gt;-  O que o senhor disse?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 100%;"&gt;E  o maquinista:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 100%;"&gt;-  Essa composição aguarda liberação de sinal...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p align="justify"&gt;      &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 100%;"&gt;E  todos, em uníssono:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;       &lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: Times New Roman; font-size: 100%;"&gt;-  Ah....&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1144314022404984848-4000920365480785806?l=seloheraldico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seloheraldico.blogspot.com/feeds/4000920365480785806/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1144314022404984848&amp;postID=4000920365480785806' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/4000920365480785806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/4000920365480785806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seloheraldico.blogspot.com/2008/07/experincia-do-amor-e-do-dilogo-na-era_26.html' title='A experiência do amor e do diálogo na era do MP3 player'/><author><name>Eraldo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11309790377380597482</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_yRtlp_NsrdY/SMvhjh1EnsI/AAAAAAAAAA0/GCn0XTEzBUM/S220/a.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1144314022404984848.post-3580089089563198920</id><published>2008-07-26T07:24:00.000-07:00</published><updated>2008-07-26T07:25:52.164-07:00</updated><title type='text'>A quinta história (Clarice Lispector)</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Um texto lindo da Clarice Lispector que vale a pena ler.&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;.....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A Quinta história&lt;/span&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta história poderia chamar-se “As Estátuas”. Outro nome possível é  “O Assassinato”. E também “Como Matar Baratas”. Farei então pelo menos  três histórias, verdadeiras porque nenhuma delas mente a outra. Embora  uma única, seriam mil e uma, se mil e uma noites me dessem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A primeira, “Como Matar Baratas”, começa assim: queixei-me de baratas.  Uma senhora ouviu-me a queixa. Deu-me a receita de como matá-las. Que  misturasse em partes iguais açúcar, farinha e gesso. A farinha e o açúcar  as atrairiam, o gesso esturricaria o de-dentro delas. Assim fiz.  Morreram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A outra história é a primeira mesmo e chama-se “O Assassinato”. Começa  assim: queixei-me de baratas. Uma senhora ouviu-me. Segue-se a receita.  E então entra o assassinato. A verdade é que só em abstrato me havia  queixado de baratas, que nem minhas eram: pertenciam ao andar térreo e  escalavam os canos do edifício até o nosso lar. Só na hora de preparar  a mistura é que elas se tornaram minhas também. Em nosso nome, então,  comecei a medir e pesar ingredientes numa concentração um pouco mais  intensa. Um vago rancor me tomara, um senso de ultraje. De dia as baratas  eram invisíveis e ninguém acreditaria no mal secreto que roía casa tão  tranqüila. Mas se elas, como os males secretos, dormiam de dia, ali  estava eu a preparar-lhes o veneno da noite. Meticulosa, ardente, eu  aviava o elixir da longa morte. Um medo excitado e meu próprio mal  secreto me guiavam. Agora eu só queria gelidamente uma coisa: matar  cada barata que existe. Baratas sobem pelos canos enquanto a gente,  cansada, sonha. E eis que a receita estava pronta, tão branca. Como  para baratas espertas como eu, espalhei habilmente o pó até que este  mais parecia fazer parte da natureza. De minha cama, no silêncio do  apartamento, eu as imaginava subindo uma a uma até a área de serviço  onde o escuro dormia, só uma toalha alerta no varal. Acordei horas  depois em sobressalto de atraso. Já era de madrugada. Atravessei a  cozinha. No chão da área lá estavam elas, duras, grandes. Durante a  noite eu matara. Em nosso nome, amanhecia. No morro um galo cantou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A terceira história que ora se inicia é a das “Estátuas”. Começa  dizendo que eu me queixara de baratas. Depois vem a mesma senhora.  Vai indo até o ponto em que, de madrugada, acordo e ainda sonolenta  atravesso a cozinha. Mais sonolenta que eu está a área na sua perspectiva  de ladrilhos. E na escuridão da aurora,um arroxeado que distancia tudo,  distingo a meus pés sombras e brancuras: dezenas de estátuas se espalham  rígidas. As baratas que haviam endurecido de dentro para fora. Algumas  de barriga para cima. Outras no meio de um gesto que não se completaria  jamais. Na boca de umas um pouco da comida branca. Sou a primeira  testemunha do alvorecer em Pompéia. Sei como foi esta última noite,  sei da orgia no escuro. Em algumas o gesso terá endurecido tão lentamente  como num processo vital, e elas, com movimentos cada vez mais penosos,  terão sofregamente intensificado as alegrias da noite, tentando fugir de  dentro de si mesmas. Até que de pedra se tornam, em espanto de inocência,  e com tal, tal olhar de censura magoada. Outras — subitamente assaltadas  pelo próprio âmago, sem nem sequer ter tido a intuição de um molde interno  que se petrificava! — essas de súbito se cristalizam, assim como a palavra  é cortada da boca: eu te... Elas que, usando o nome de amor em vão, na  noite de verão cantavam. Enquanto aquela ali, a de antena marrom suja de  branco, terá adivinhado tarde demais que se mumificara exatamente por não  ter sabido usar as coisas com a graça gratuita do em vão: “é que olhei  demais para dentro de mim! é que olhei demais para dentro de...” — de  minha fria altura de gente olho a derrocada de um mundo. Amanhece. Uma  ou outra antena de barata morta freme seca à brisa. Da história anterior  canta o galo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A quarta narrativa inaugura nova era no lar. Começa como se sabe: queixei-me  de baratas. Vai até o momento em que vejo os monumentos de gesso. Mortas,  sim. Mas olho para os canos, por onde esta mesma noite renovar-se-á uma  população lenta e viva em fila indiana. Eu iria então renovar todas as  noites o açúcar letal? - como quem já não dorme sem a avidez de um rito.  E todas as madrugadas me conduziria sonâmbula até o pavilhão? - no vício  de ir ao encontro das estátuas que minha noite suada erguia. Estremeci de  mau prazer à visão daquela vida dupla de feiticeira. E estremeci também ao  aviso do gesso que seca: o vício de viver que rebentaria meu molde interno.  Áspero instante de escolha entre dois caminhos que, pensava eu, se dizem  “adeus”, e certa de que qualquer escolha seria a do sacrifício: eu ou minha  alma. Escolhi. E hoje ostento secretamente no coração uma placa de virtude:  “Esta casa foi dedetizada”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A quinta história chama-se “Leibnitz e a Transcendência do Amor na Polinésia”.  Começa assim: queixei-me de baratas...&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1144314022404984848-3580089089563198920?l=seloheraldico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seloheraldico.blogspot.com/feeds/3580089089563198920/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1144314022404984848&amp;postID=3580089089563198920' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/3580089089563198920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/3580089089563198920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seloheraldico.blogspot.com/2008/07/quinta-histria-clarice-lispector.html' title='A quinta história (Clarice Lispector)'/><author><name>Eraldo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11309790377380597482</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_yRtlp_NsrdY/SMvhjh1EnsI/AAAAAAAAAA0/GCn0XTEzBUM/S220/a.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1144314022404984848.post-7494493926796919190</id><published>2008-07-23T10:47:00.000-07:00</published><updated>2008-07-23T10:51:58.636-07:00</updated><title type='text'>De Dercy</title><content type='html'>"A gente vai ser feliz na porrada, a gente não tem vocação para ser infeliz."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ninguém tem direito à ninguém"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Por dentro eu tenho 20 anos, por fora, a poluição estraga."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu detesto essa pieguice: mais cuidado, mais educação."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu não falo palavrão: eu mando você tomar no cu."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Por maior que seja o buraco em que você se encontra, pense que, por enquanto, ainda não há terra em cima."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu fiz 94 anos, mas já digo que estou com 95 para me energizar e chegar lá. Escrevam o que eu digo: eu só vou morrer quando eu quiser! Não programo morte, eu programo vida!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;""Sentei o pé nele e saí porta afora. Socorro! Esse homem me furou! Imaginei que tinha enfiado um facão e rasgado minhas tripas." (Depois de ver o sangue ao perder sua virgindade, com o cantor Eugenio Pascoal)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Salve Dercy.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1144314022404984848-7494493926796919190?l=seloheraldico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seloheraldico.blogspot.com/feeds/7494493926796919190/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1144314022404984848&amp;postID=7494493926796919190' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/7494493926796919190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/7494493926796919190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seloheraldico.blogspot.com/2008/07/de-dercy.html' title='De Dercy'/><author><name>Eraldo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11309790377380597482</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_yRtlp_NsrdY/SMvhjh1EnsI/AAAAAAAAAA0/GCn0XTEzBUM/S220/a.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-1144314022404984848.post-641188554050660860</id><published>2008-07-23T10:06:00.001-07:00</published><updated>2008-07-26T07:19:30.270-07:00</updated><title type='text'>Completude</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Com esse texto, ganhei a 3° colocação no Concurso de Literatura Experimental do CEFET-SP.&lt;br /&gt;Inicialmente, foi um trabalho de redação. Trabalhávamos descrição; a professora deu um bombom Sonho de Valsa para cada um e tivemos que descrever como o abrimos, o cheiro que sentimos, a sensação de comê-lo, etc. Essa foi a minha redação. Quando a recebi com a nota (3,5) e um "Muito Bom!", a professora Ana Lisboa disse: Nossa você realmente escreve bem, como a professora Marlena disse". E eu pensei: "Nossa, então por que será que eu não tirei nota máxima?". Chegou a época do concurso de redação, eu tava com vontade de participar, mas acabei perdendo a data de inscrição. Aí, adiaram dois dias. Digitei dois textos que tinha: esse, que se chamava Completude e outro que se chamava Amélia, mas que mudei para Apoteose. Entreguei. Um mês depois, no dia em que eu descobriria que ganhara uma bolsa integral no Etapa [choro litros...]), a professora veio me avisar que eu tinha conseguido o 2° e o 3° lugar no concurso. Fiquei feliz. Saí da sala para espairecer. Nessas horas dá vontade de fazer flics... Completude ficara em 3° e Apoteose em 2°. Ganhei 90 reais em vale-livros, que gastei comprando um DVD do South Park, um do Woody Allen "Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo e tinha medo de perguntar", Harry Potter and the Prisioner of Azkaban (versão americana, que ainda não li) e um livro do Woody Allen.&lt;br /&gt;No dia da premiação, a prof. Suely (que não era minha professora ainda) me abraçou e disse: "É importante escrever, ainda mais hoje, quando a literatura não é valorizada." Quando fui escolher o livro ao qual os premiados tinham direito, a professora Maria Ângela não permitiu que eu pegasse dois. "Vai faltar para os outros". Eram quase 10 livros para 5 premiados... Peguei o Cortiço e fui embora... Aí a professora Suely me parou e perguntou: "Foi você que escreveu o da Amélia?" Ela estava com outra professora. Eu disse que sim. Ela levantou, apertou minha mão e disse que tinha partes de um verdadeiro escritor. Tempos depois descobri o quanto phodástica era ela e meu âmago bateu a cabeça num satélite de Júpiter. Quem não lembra da mão dela quando ela fala da "estrutura..." do texto? Me senti com uma grande responsabilidade na mão e resolvi escrever a sério. Mas o texto de Apoteose está perdido: perdi o arquivo e perdi o original. Procuro obsessivamente. Não achei ainda. Quando achar, eu posto. Agora, o texto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;******&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Completude&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do bolso aos dedos me veio o bombom, não em silêncio, mas cantando a alegre música que alegra o paladar. A cada toque, todo manhoso, continuava a letra, que falava de tentações e delícias.Na busca de sua verdadeira identidade, meus dedos, vagarosamente, foram despindo seu colorido e ilustrado traje magenta; e no final, que vergonha!, somente de roupa de baixo. A roupa amassada trazia seu cheiro, delicioso, doce odor do desejo ardente. Suas roupas íntimas, da cor do luar, eram tão finas, que se meus dedos não fossem cuidadosos, a teriam rasgado.Ah!, que constrangedor aquele momento, um silêncio prolongado... Meus dedos se aproximaram e o abraçaram... Foi perfeito. Os dedos foram feitos para o bombom e o bombom, para os dedos: um encaixe sublime, sem falhas.Os olhos, mestres dos dedos, encaravam aquela pele negra, aquela forma circular e voluptuosa. Depois de muito observar e admirar, ordenou, imperioso:&lt;br /&gt;- Pegue!&lt;br /&gt;Um contato cuidadoso: a cada toque sua pele parecia derreter, junto com minha moderação. Não resistindo mais, todos os membros imploravam pelo bombom.Os dedos o fizeram subir pelo ar até a boca. Agora, que dúvida! Como comê-lo? Se for rápido, me arrependerei depois; se devagar, não sentirei o prazer da mordida rápida e saborosa.Chegou o momento e nos encaramos. Iria começar o ritual, onde dois se tornam um, chegando à completude e ao prazer.Foi se aproximando e antes dele, chegou a arma que ataca o nariz, intensificando o desejo, atiçando a vontade, tirando o controle.Depois de um breve ósculo, iniciou-se o delírio. O bombom, atrevido, fazia delirar os meus dentes, minha língua, minha boca, meus sentidos, minha alma... E acabou; finalmente nos unimos.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/1144314022404984848-641188554050660860?l=seloheraldico.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://seloheraldico.blogspot.com/feeds/641188554050660860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=1144314022404984848&amp;postID=641188554050660860' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/641188554050660860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/1144314022404984848/posts/default/641188554050660860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://seloheraldico.blogspot.com/2008/07/completude.html' title='Completude'/><author><name>Eraldo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11309790377380597482</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_yRtlp_NsrdY/SMvhjh1EnsI/AAAAAAAAAA0/GCn0XTEzBUM/S220/a.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
